Nas seis primeiras crônicas, que dão título ao livro, o autor seleciona lendas, mitos e textos literários sobre o 'intrigante tópico da cegueira e do (não) saber', como o Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, Em terra de cego, conto de H. G. Wells, A carta roubada, de Poe, A nova roupa do imperador, de Andersen, entre outros, para apresentar os vários aspectos do ver e do não-ver - a cegueira como uma praga temporária, a visão arrogante que não enxerga o óbvio, o pacto social em torno do não-ver, a sabedoria que ilumina a vida interior, o desafio de ver o mundo com novos olhos. Affonso Romano de Sant´Anna também fala sobre os percalços da carreira de escritor, às voltas com a folha em branco ou com as sucessivas recusas dos editores à publicação. Ele dá exemplos como o de Marcel Proust, que precisou bancar a publicação de Em busca do tempo perdido por não encontrar uma editora disposta a publicá-lo. O autor dialoga ainda com a obra A grande recusa, de Mario Baudino.