"Aguas passadas nao movem moinhos. Dar no em pingo d’agua. Escrever poesia. Publicar um livro: Seria dar murro em ponta de faca? Quem le poesia? Um risco. Uma possivel perda de tempo. Um gozo. Um revolucionario prazer.
Flow de um Suingue de Verao: poesia em estado cronico e um esforco de reconhecer nesse que tem se cultivado como o mais insistente dos habitos a expressao de uma voz."
Assim comeca o livro de estreia da autora: uma tentativa de simbolizar poeticamente a travessia subjetiva de uma jovem mulher em busca de si mesma. Dividido em cinco partes, a obra reune poemas que percorrem diferentes paisagens emocionais desse percurso: o entender-se sujeito, o perceber-se mulher, o deparar-se com as contradicoes aparentemente inaceitaveis do mundo do trabalho e da vida desigual na metropole.
Publicacao independente viabilizada por meio de uma campanha de financiamento coletivo realizada no inicio de 2021, nao poderia deixar ser tambem atravessado pelo contexto de aprofundamento das devastadoras consequencias da pandemia de Covid-19 em territorio brasileiro. é pelo desejo de que um dia a necessidade de dinheiro para respirar com alguma dignidade nao seja esse limbo entre vida e morte, que publicar esse livro é uma tentativa de estabelecer um novo pacto. Um pacto com a fala, com a expressao. E tambem com a urgencia de abrir passagem aos lutos.
