31/01/2026
Em 1966, o saxofonista Archie Shepp declarou: “O jazz é anti-guerra; é contra a guerra no Vietnã; é a favor de Cuba; é pela libertação de todos os povos. Essa é a natureza do jazz. E isso não é exagero. Por quê? Porque o jazz é uma música nascida da opressão, nascida da escravidão do meu povo.” Essa leitura explosiva da música ― e, em particular, do que se chamou de free jazz ― serve de base para este livro. Voltado especialmente ao festival realizado em Helsinki em 1962 ― a oitava edição de um encontro comunista da juventude que vinha ocorrendo desde 1947, seus editores, assumindo uma postura militantemente oposta àquilo que chamam de “prática acadêmica seca e preguiçosa da imparcialidade”, propõem-se a revelar uma história até então desconhecida: o núcleo comunista do free jazz. Com Shepp como farol, eles examinam a apresentação do quarteto Shepp–Dixon no festival como uma “manifestação singular” capaz de “distorcer todo o constructo ideológico do mandato político internacional do jazz” durante a Guerra Fria. Para essa empreitada monumental, o livro reúne depoimentos de vários participantes do festival ― entre eles, o de Angela Davis, então uma estudante de dezoito anos em Paris. Esses relatos são acompanhados por um ensaio do editor Taneli Viitahuhta, que traça o histórico de um evento que reuniu mais de quinze mil pessoas durante duas semanas na capital finlandesa: mil delegados vindos da África, milhares de partidos comunistas da Europa Ocidental e muitos outros de diversas partes do mundo.
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