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São Paulo
Alain Badiou
Boitempo
ISBN:9788575591505
Idioma: Português
142 Páginas

A partir do discurso do apóstolo Paulo, tido como o fundador do cristianismo, o filósofo Alain Badiou formula uma investigação sobre os fundamentos do universalismo. Para o intelectual francês, Paulo inaugura um novo discurso, distinto da filosofia grega e da lei dos judeus, fundado na experiência e portador de uma nova perspectiva, a universalidade.

Ao longo desse ensaio, Badiou aborda a conexão paradoxal feita por Paulo entre um sujeito sem identidade e uma lei sem suporte, que funda a possibilidade de uma predicação universal na história. Nas palavras do filósofo francês: “Se, hoje, quero retraçar em poucas páginas a singularidade dessa conexão é porque trabalho por todos os ângulos, até com a negação de sua possibilidade, a busca de uma nova figura militante, demandada para suceder àquela cujo lugar Lenin e os bolcheviques ocuparam, no início do século passado, e que se pode dizer ter sido a do militante de partido”.

Este livro é testemunho do não conformismo de Paulo e de Badiou, que mostra a mesma paixão política que vê nas epístolas do primeiro e para quem “o pensamento não espera e jamais esgota sua reserva de força, a não ser para quem sucumbe no profundo desejo de conformidade, que é a via da morte”.

São Paulo, publicado no âmbito do Ano da França no Brasil, contou com o apoio do Ministério francês das Relações Exteriores e Européias.

O livro conta ainda com um posfácio de Vladimir Safatle, no qual o professor da USP avalia a produção intelectual e trajetória de Badiou. Em suas palavras, "podemos dizer que Badiou parte do princípio de que a política não pode ser guiada por exigência de realização de ideais normativos de justiça e consenso que já estariam atualmente presentes em alguma dimensão da vida social. Pois isso nos impediria de desenvolver uma crítica mais profunda capaz de questionar a gênese de nossos próprios ideais e valores".

Trecho da obra

Jamais liguei Paulo à religião. Não foi desse ponto de vista, nem para testemunhar uma fé qualquer, nem sequer uma antifé, que me interessei por ele há muito tempo. Nem tampouco para dizer a verdade – mas a emoção foi menor – que me apropriei de Pascal, de Kierkegaard ou de Claudel, a partir do que havia de explícito em suas pregações cristãs. De qualquer maneira, o caldeirão em que se cozinha o que será uma obra de arte e de pensamento é cheio de impurezas inomináveis até a borda; contém obsessões, crenças, labirintos infantis, perversões diversas, lembranças impartilháveis, leituras de fragmentos das mais variadas origens, um grande número de besteiras e quimeras. Entrar nessa alquimia não leva a muita coisa. Para mim, Paulo é um pensador?poeta do acontecimento e, ao mesmo tempo, aquele que pratica e enuncia atos constantes característicos do que se pode denominar a figura militante. Ele faz surgir a conexão, integralmente humana e cujo destino me fascina, entre a ideia geral de uma ruptura, de uma virada, e a de um pensamento prático, que é a materialidade subjetiva dessa ruptura.