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Soterrado pela poeira do tempo e a demandar um gesto arqueológico de releitura, A morte difícil, datado de 1926, é o terceiro romance de René Crevel e, como ressalta Annie Le Brun, reeditar Crevel é um ato de “justiça e salubridade" – sobretudo em tempos de obscurantismo e de mortificação puritana do corpo. De modo geral, é possível afirmar que a obra de Crevel é marcada por uma progressiva expansão dos limites do jogo narrativo, com a dissolução de elementos como o enredo e o avanço na direção de uma prosa reflexiva. É uma trajetória breve, mas intensa, que parte da explosão da estrutura romanesca e segue rumo à abertura das fronteiras entre o poético e o pensante. ). Isso não impede que , em A morte difícil, passagens dotadas de alta voltagem poética irrompam aqui e ali, sobretudo nos capítulos em que o jogo cênico se rarefaz em prol da intensificação da sondagem psicológica (o que ocorre particularmente no segundo), tendo por resultado a linguagem carregada ao máximo tanto de tensão patográfica quanto de expressividade plástica. No campo tematológico, o corpo e o desejo ocupam papel central na escrita de Crevél, empenhada na liberação de ambos. Ao impulso de levar a narrativa até suas fronteiras e territórios extremos, o corpo acompanha esse movimento mimético, ao lançar-se também em gestos aventureiros de expansão do reino das possibilidades, para além da pressão centrípeta do jogo binário das identidades sociais.