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A Coleção Pauliceia. na sua série Letras. com o objetivo de recuperar textos importantes para a formação da identidade de São Paulo. lança João do Rio: um dândi na Cafelândia. O livro reúne crônicas de João Paulo Alberto Coelho Barreto. o João do Rio. célebre jornalista. cronista e escritor carioca do início do século. publicadas nos jornais da época. mas a maioria delas nunca antes reunidas em livro.

A pesquisa dos textos. a introdução e as notas são do historiador Nelson Schapochnik. e explicam as expressões. o contexto e os personagens citados. Como escreve Shapochnik na introdução da obra: “A reunião destes textos possibilita ao que os leitores contemporâneos compreendam uma dimensão menos conhecida do escritor. isto é. a do jornalista militante e artífice das representações triunfantes da modernização paulista.”

O livro não exibe. como podia ser de se esperar. um desprezo do jornalista da capital por São Paulo. Mas nas comparações insistentes. e em geral amplamente a favor da cidade do planalto. não deixam de estar as sementes da rivalidade. A admiração do cronista pelas mudanças da São Paulo da República Velha. do café. da massa de imigrantes e do início da sua industrialização. Uma São Paulo que crescia velozmente. antes de se tornar caótica. e um Rio de Janeiro que ainda era a capital federal. são os cenários das comparações de João do Rio.

No livro. textos que narram a inauguração do Municipal. o trem que ligava as duas cidades.o Horto Florestal. o Hipódromo da Mooca. o Automóvel Club. onde se reunia a aristocracia paulista. as férias de verão passadas pelos cariocas na animada São Paulo da Belle Époque. tudo com uma empolgação positivista. eugênica e exagerada pelo crescimento econômico da cidade e pela origem europeia dos seus imigrantes. Passeiam pelo livro figuras como Altino Arantes. o industrial Conde Mattarazzo. o secretário da Fazenda Cardoso de Almeida. o então prefeito da cidade Washington Luís. Altino Arantes. Heitor Penteado. Alfredo Pujol. Oscar Rodrigues Alves. entre outros que hoje são mais conhecidos como ruas e avenidas.

No texto “Ao Senador Alfredo Ellis”. João do Rio capta. extasiado. o espírito entre a eterna crise e a nova riqueza. entre a opulência e a beira do abismo que a metrópole mantém até hoje: “São Paulo é a máquina do progresso. Precisa de dinheiro para manter a mesma velocidade. Dinheiro faz dinheiro. Dinheiro para empresas. dinheiro para indústrias. dinheiro! Ninguém tem propriamente dinheiro. Gastase muito dinheiro e empregase dinheiro em mil e uma provas de ação. inclusive mesmo algumas explorações só explorações. De modo que. de repente. o crédito é retraído. é a agitação desesperada.”

Livro para entender a identidade de São Paulo. da cultura imigrante do trabalho ao culto aos bandeirantes. João do Rio: um dândi na Cafelândia é essencial para comparar a cidade narrada por do Rio e o que esta imaginava estar construindo como seu futuro. e a cidade que existe hoje.