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Na abertura do presente ensaio, Fabio Luis Barbosa dos Santos declara não se arrepender de ter votado e defendido o PT. Não é o único, claro. Porém, de tanto se votar e defender, naturalizou-se a identificação entre esquerda e PT. Nela reside um dos principais fatores do imobilismo político de agora. Por isso, o autor considera um imperativo político incontornável fazer o luto do PT.

Diante da crise terminal que o consome, por que não ajudar seus militantes a atravessar o estágio inicial de negação — e de paranoia — em que se encontram? Ao contrário do que ainda fantasiam, não era bem um cerco que vinha se armando e fechando em torno da esquerda. Fazia tempo que o PT era a parte mais ativa desse mesmo cerco ao campo popular, que lograra afinal asfixiar e por fim desmoralizar depois de havê-lo instrumentalizado até à corda.

Fabio Luis demonstra o seu argumento por um ângulo surpreendente e, ao meu ver, fulminante: enterrar essa mentalidade de cerco estendendo o luto a ser feito até a chamada onda progressista sul-americana, iniciada com a eleição de Hugo Chávez, em 1998, e que dezoito anos depois veio morrer justamente na praia petista. Vista pelo prisma desse esgotamento continental, o nosso muda inteiramente de figura.

Segundo o autor, a derrocada não menos calamitosa dos governos progressistas-extrativistas se explica muito pouco pela pressão imperialista de sempre, que no limite se confunde com a história do subcontinente, e muito mais pela economia política do petismo, que projetou seu modo de regulação de conflito social, juntamente com seus famigerados “campeões nacionais”, para o seu entorno estratégico regional. Menos um cerco geopolítico do que um projeto de poder exercido para conter a expectativas de mudança, não somente no país mas em toda a região. A ser assim, fica a dúvida: melancolia e luto pela esquerda petista sim, mas pelo poder petista?

— Paulo Arantes